O que é TDAH? Entenda o transtorno na infância e adolescência

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O que é TDAH? Ilustração 3D de uma criança com caderno e mochila, recebendo apoio de sua mãe durante uma atividade em casa.

Por Dr. Luis Pimenta

Uma criança esquece o material, outra interrompe as conversas, outra parece estar sempre em movimento. Essas situações podem despertar uma dúvida: o que é TDAH e quando esse nome ajuda a compreender o que está acontecendo?

TDAH significa transtorno do déficit de atenção e hiperatividade. É um transtorno do neurodesenvolvimento caracterizado por desatenção e/ou hiperatividade–impulsividade persistentes, acima do esperado para o desenvolvimento, com prejuízo na vida cotidiana. Os sintomas começam na infância e podem continuar na adolescência e na vida adulta. 1

Conhecer o transtorno ajuda a trocar julgamentos por perguntas mais úteis: em quais situações a criança encontra dificuldades? Que apoio ela precisa para aprender, conviver e desenvolver autonomia?

O que significa dizer que o TDAH é um transtorno do neurodesenvolvimento?

Significa que ele está relacionado ao desenvolvimento e ao funcionamento de habilidades importantes para a vida diária, como sustentar a atenção e controlar impulsos. Não surge simplesmente porque a criança começou a receber tarefas escolares. As exigências da escola podem tornar dificuldades anteriores mais visíveis. 1

Todas as crianças se distraem, se agitam ou agem sem pensar em alguns momentos. A avaliação considera a frequência, a intensidade e o impacto desse padrão. Um episódio isolado, uma semana difícil ou uma personalidade mais ativa não bastam para definir TDAH. 2

Quais são os principais sintomas do TDAH?

Os sintomas se organizam em dois conjuntos: desatenção e hiperatividade–impulsividade. 3

Desatenção

Pode envolver dificuldade frequente para acompanhar instruções, concluir atividades, organizar tarefas e lembrar compromissos. Perder materiais ou se distrair com facilidade também pode fazer parte desse conjunto.

Hiperatividade

Pode aparecer como movimentação excessiva, dificuldade para permanecer sentado quando necessário ou falar demais. A manifestação precisa ser interpretada conforme a idade e a situação.

Impulsividade

Pode se expressar por interrupções recorrentes, dificuldade para esperar a vez ou responder antes que uma pergunta termine.

Essas características precisam ser avaliadas em conjunto com a história da criança e seus prejuízos. 3

Toda criança com TDAH é hiperativa?

Não. Existem três apresentações clínicas do TDAH: 3

ApresentaçãoCaracterística principal
Predominantemente desatentaPredominam os sintomas de desatenção.
Predominantemente hiperativa–impulsivaPredominam os sintomas de hiperatividade e impulsividade.
CombinadaHá sintomas suficientes nos dois conjuntos.

O termo “apresentação” é mais adequado que pensar em tipos fixos: o padrão pode mudar ao longo do tempo. 3

Três apresentações do TDAH: predominantemente desatenta, predominantemente hiperativa–impulsiva e combinada. A apresentação pode mudar com o tempo.

Como o TDAH pode aparecer em casa, na escola e nas amizades?

As dificuldades podem afetar o aprendizado, a convivência familiar e as relações com outras crianças. Nem sempre o problema mais visível é a agitação. 2

Os exemplos abaixo são hipotéticos e ilustram situações a explorar na avaliação. Não permitem concluir um diagnóstico.

Em casa

Ao se preparar para sair, uma criança começa a vestir o uniforme, encontra um brinquedo e se envolve em outra atividade. O responsável precisa ajudá-la a retomar cada etapa, e a manhã termina em atrasos e discussões.

Uma pergunta útil seria: “Qual parte dessa sequência ela consegue realizar sozinha e em qual precisa de apoio?”.

Na escola

Um aluno participa de uma explicação, mas entrega apenas parte da atividade. Outro sabe a resposta e interrompe os colegas repetidamente. A descrição dessas situações informa mais que chamar alguém de “desinteressado” ou “sem educação”.

Nas amizades

Durante uma brincadeira, uma criança se antecipa à sua vez várias vezes. Os colegas se irritam, e ela não entende por que ficou de fora. Conversar sobre o episódio permite identificar tanto a dificuldade quanto a habilidade que precisa ser ensinada.

O que causa TDAH? É falta de limites?

O TDAH tem origem multifatorial, com participação importante de fatores genéticos. Não existe uma causa única que explique todos os casos. 1

TDAH não é causado simplesmente por falta de disciplina ou por uma falha dos pais. Dificuldades reais podem ser interpretadas como preguiça quando se observa apenas o resultado de uma tarefa. Compreender isso não elimina a necessidade de limites: ajuda a construir orientações compatíveis com as necessidades da criança. 4

Em vez de discutir se ela “quer ou não quer colaborar”, a família pode descrever o que acontece e buscar formas de tornar a tarefa mais viável.

Como é feito o diagnóstico de TDAH?

O diagnóstico é clínico: não existe um exame único que confirme TDAH. A avaliação reúne a história do desenvolvimento, informações da família e da escola, repercussões no cotidiano e investigação de outras possíveis explicações para os sintomas. 5

Vale procurar orientação quando as dificuldades são recorrentes e afetam a aprendizagem, as relações ou a rotina. Levar exemplos concretos ajuda mais que chegar à consulta com a obrigação de confirmar uma hipótese.

Como funciona o tratamento do TDAH em crianças e adolescentes?

O plano de cuidado combina intervenções conforme idade, necessidades e prejuízos. A avaliação médica é imprescindível para decidir sobre medicamentos e acompanhar seus efeitos. 6

Orientação aos pais e intervenções comportamentais

O treinamento parental em manejo comportamental ensina estratégias como dar orientações claras, reforçar comportamentos desejados e estabelecer respostas consistentes. Incluir os responsáveis é uma forma de oferecer ferramentas para o cotidiano, sem atribuir a eles a causa do transtorno.

Na pré-escola, especialmente aos 4–5 anos, intervenções comportamentais com treinamento dos pais são a primeira abordagem recomendada. O trabalho também pode envolver professores e outros cuidadores. 7

Participação da escola

O apoio escolar faz parte do cuidado. As estratégias devem responder às dificuldades identificadas e ser acompanhadas para verificar se ajudam. Organização das tarefas e manejo comportamental em sala podem integrar esse trabalho. 8

Medicamentos, quando indicados

Entre as opções estão estimulantes e não estimulantes. A escolha depende de avaliação individual, idade, condições associadas, benefícios esperados e possíveis efeitos adversos.

O acompanhamento inclui observar funcionamento diário, apetite, sono, crescimento e outros parâmetros clínicos. Receber o diagnóstico não determina automaticamente qual medicamento usar ou por quanto tempo. 6

O que os pais podem fazer para ajudar no dia a dia?

Algumas medidas práticas podem apoiar a rotina, como complemento ao cuidado individualizado: 8

  • Dê orientações curtas. Combine uma etapa de cada vez e confira se foi compreendida.
  • Divida tarefas maiores. Ajude a identificar por onde começar.
  • Crie lugares fixos para materiais. Deixar mochila e itens escolares em locais combinados facilita a organização.
  • Reconheça avanços específicos. Descreva o comportamento que funcionou.
  • Reduza distrações quando necessário. Ajuste o ambiente à atividade e às necessidades da criança.

Por exemplo, “organize tudo” pode ser uma instrução pouco clara. Uma alternativa concreta seria: “Primeiro, coloque os cadernos na mochila. Depois, vamos conferir o estojo”. A ideia é experimentar um apoio compreensível e observar se ele ajuda.

TDAH tem cura? A criança pode melhorar?

O TDAH pode acompanhar a pessoa ao longo da vida, mas sua manifestação e a necessidade de apoio variam. O objetivo do tratamento é melhorar o funcionamento em cada fase. Não se deve prometer desaparecimento dos sintomas nem presumir que toda criança precisará do mesmo tratamento para sempre. 4

O diagnóstico não resume quem seu filho é. Interesses, vínculos, capacidades e projetos também precisam ter espaço nas conversas sobre seu desenvolvimento.

Quando procurar orientação para seu filho?

Se a rotina está sendo marcada por dificuldades repetidas, vale conversar com o pediatra ou buscar avaliação em psiquiatria da infância e adolescência. A consulta é uma oportunidade de compreender o problema e planejar os próximos passos.

Conheça a formação e a atuação do Dr. Luis Pimenta e explore a página sobre TDAH na infância e adolescência.

Este conteúdo é educativo e não substitui uma avaliação individualizada.

Referências

  1. Centers for Disease Control and Prevention. ADHD in children [Internet]. 2026 [citado em 14 set 2026].
  2. American Academy of Pediatrics. Understanding ADHD: information for parents. HealthyChildren.org [Internet]. 2019 [citado em 14 set 2026].
  3. Centers for Disease Control and Prevention. Symptoms of ADHD [Internet]. 2026 [citado em 14 set 2026].
  4. American Academy of Pediatrics. 8 ADHD myths & misconceptions. HealthyChildren.org [Internet]. 2018 [citado em 14 set 2026].
  5. Centers for Disease Control and Prevention. Diagnosing ADHD [Internet]. 2026 [citado em 14 set 2026].
  6. Feldman ME, Charach A, Bélanger SA. ADHD in children and youth: part 2—treatment. Paediatr Child Health. 2018;23(7):462–472. Reafirmado pela Canadian Paediatric Society em 2024.
  7. Centers for Disease Control and Prevention. Parent training in behavior management [Internet]. 2026 [citado em 14 set 2026].
  8. Centers for Disease Control and Prevention. Treatment of ADHD [Internet]. 2026 [citado em 14 set 2026].

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Dr. Luis Pimenta

Psiquiatria da Infância e Adolescência – CRM 163289 | RQE 70571