O que é comportamento infantil e como ele se desenvolve?

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Bebê sentado olhando para o rosto de um adulto

Por Dr. Luis Pimenta

O desenvolvimento do comportamento infantil começa antes de a criança falar e segue por toda a primeira infância. O comportamento é a forma como a criança reage ao que acontece, expressa emoções, se relaciona e lida com o dia a dia. Ele se constrói junto com o desenvolvimento psíquico. A criança percebe o efeito do que faz, percebe que o outro existe mesmo quando está longe e percebe que dá para dirigir a atenção desse outro. Depois descobre que o outro sente e pensa de um jeito próprio, e aprende a brincar junto e a seguir regras. Cada passo muda o que a criança faz, e conhecer a sequência ajuda a saber o que esperar em cada idade [1].

Este texto vai do nascimento aos 5 anos. As idades são referências. Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) listam, em cada idade, o que pelo menos 75% das crianças já fazem [1][2]. Cada criança tem o seu ritmo. Os autores da revisão desses marcos observam que os sociais, os emocionais e os cognitivos são os que têm menos dados de referência [2].

Do nascimento aos 2 meses: o bebê funciona mais como foi programado

Nos primeiros meses, o bebê responde sobretudo com o que já traz: os sentidos e uma capacidade de regulação interna. Ele ainda depende do adulto para se acalmar. Aos 2 meses, a CDC descreve comportamentos que já envolvem o cuidador. O bebê se acalma quando alguém fala com ele ou o pega no colo. Olha para o rosto do cuidador, parece feliz ao vê-lo e sorri quando o cuidador fala ou sorri [1].

Ele também faz sons que não são choro, reage a sons altos e acompanha o cuidador com o olhar [1]. Nessa fase, o bebê reage mais do que age.

Aos 4 meses: o bebê se torna agente

Aos 4 meses, o bebê passa a fazer coisas para provocar uma resposta. A CDC lista sorrir por conta própria para chamar a atenção, rir quando alguém tenta fazê-lo rir e olhar, mexer-se ou fazer sons para obter ou manter a atenção [1].

Ele faz sons de volta durante a conversa e vira a cabeça para a voz do cuidador. Abre a boca ao ver o seio ou a mamadeira quando está com fome e leva as mãos à boca [1]. Em cada situação, o bebê faz algo e o cuidador responde: o sorriso recebe atenção, o som recebe uma resposta verbal, a mamadeira recebe a boca aberta. É nessa troca que ele começa a ser agente do que acontece.

Aos 6 meses: o que o bebê faz muda o que acontece

Aos 6 meses, nasce a noção de causalidade. O bebê percebe que a ação tem efeito, e que o que ele faz altera o que acontece. Isso aparece quando ele estica o braço para pegar o brinquedo que quer, leva objetos à boca para explorá-los e fecha os lábios para recusar mais comida [1].

Aparece também na conversa. O bebê reveza sons com o cuidador, sopra com a boca fazendo barulho e faz sons agudos [1]. Ele ri, gosta de se olhar no espelho e reconhece pessoas familiares [1]. Reconhecer quem é familiar prepara a reação que vem nos meses seguintes diante de quem não é.

Aos 9 meses: o outro existe mesmo quando o bebê não vê

Aos 9 meses, o bebê passa a agir como se o que sai de vista continuasse existindo. Ele procura o objeto que caiu fora do campo de visão, como a colher ou o brinquedo, e sorri ou ri na brincadeira de esconder o rosto [1]. Se a ação produz efeito, o que desapareceu pode ser recuperado.

A mesma ideia vale para as pessoas. O bebê reage quando o cuidador sai, olhando, esticando os braços ou chorando, e pode ficar tímido, grudado ou com medo perto de estranhos [1]. Esse comportamento mostra que ele percebe que o outro continua existindo quando está ausente.

O corpo também ajuda. Sentado sem apoio e capaz de passar objetos de uma mão para a outra, o bebê consegue buscar o que quer [1]. Ele faz sons variados, como "mamama" e "bababa", levanta os braços para ser pego e olha quando chamam pelo nome [1]. Sons e gestos passam a funcionar como comunicação.

Os pesquisadores discutem a idade em que a permanência do objeto surge. Medidas baseadas no olhar sugerem compreensão mais cedo, e a tarefa de procurar o objeto escondido, criada por Piaget, sugere mais tarde. Um estudo de 2019 mostrou que o contexto social influencia onde o bebê procura [3]. Os 9 meses são, portanto, uma referência do que se vê no dia a dia. A idade exata varia.

Aos 12 meses: se o outro existe, o bebê pode dirigir a atenção dele

Perto de 1 ano, o bebê usa gestos com a intenção de se comunicar. A CDC lista acenar tchau, brincar de jogos simples com o cuidador e chamar o pai ou a mãe por um nome especial. Lista também pausar ou parar quando ouve "não". O bebê coloca um objeto dentro de um recipiente e procura coisas que viu serem escondidas [1].

Um estudo com 24 bebês acompanhados dos 9 aos 15 meses descreveu uma sequência. Primeiro o bebê compartilha a atenção com o adulto. Depois segue a atenção do adulto. Na etapa seguinte, passa a dirigir a atenção e o comportamento do outro [4]. Dois fatores previram os primeiros gestos e palavras: o tempo de atividade conjunta com a mãe e o quanto a mãe falava sobre aquilo para onde o bebê olhava [4]. É uma amostra pequena.

Aos 15 e 18 meses: a criança mostra o que gosta e confere se o outro está por perto

Com a atenção do outro ao alcance, a criança passa a usá-la para compartilhar. Aos 15 meses, a CDC lista mostrar ao cuidador um objeto de que gosta, copiar outras crianças na brincadeira, bater palmas quando está animada e abraçar um boneco. Ela também demonstra afeto com abraços e beijos, aponta para pedir algo ou ajuda e acompanha uma instrução dada com gesto e palavra [1].

Aos 18 meses, aparece uma combinação nova. A criança se afasta do cuidador, mas confere se ele está por perto. Aponta para mostrar algo interessante, olha algumas páginas de um livro junto com o cuidador e ajuda a se vestir, empurrando o braço na manga [1]. Copia tarefas da casa, como varrer [1]. O cuidador passa a ser um ponto de referência: a criança se afasta para explorar, volta a conferir e divide o que descobre.

Aos 2 anos: a criança olha para o outro para saber como reagir

Aos 2 anos, a criança já usa a reação do outro como informação. A CDC lista olhar para o rosto do cuidador para saber como reagir numa situação nova. Lista também perceber quando alguém está machucado ou chateado, parando ou ficando com expressão triste quando outra pessoa chora [1].

Ela junta duas palavras, aponta partes do corpo quando pedem e usa gestos além de acenar e apontar, como mandar um beijo ou balançar a cabeça para dizer sim. Brinca com mais de um brinquedo ao mesmo tempo [1]. A criança percebe que o outro sente algo e usa isso para orientar o que ela faz.

Aos 2 anos e meio: a criança quer ser vista

Aos 30 meses, a CDC lista dizer "Olha para mim!" para mostrar o que sabe fazer. Lista também usar palavras como "eu", "me" e "nós" e seguir rotinas simples quando pedem, como ajudar a guardar os brinquedos [1]. A criança brinca ao lado de outras crianças e, às vezes, com elas [1].

Ela faz de conta com objetos, como dar um bloco para a boneca comer, e segue instruções de dois passos [1]. Aparece a noção de um "eu" separado do outro, e com ela o desejo de ser visto e de ter espaço na brincadeira.

Aos 3 anos: a criança consegue esperar e procura outras crianças

Aos 3 anos, a CDC lista acalmar-se em até 10 minutos depois que o cuidador sai, como na hora de deixar a criança na escola. Lista também perceber outras crianças e se juntar a elas para brincar [1].

Ela conversa com pelo menos duas trocas de fala e diz o próprio nome. Faz perguntas com "quem", "o que", "onde" e "por quê" e evita tocar em algo quente depois de receber um aviso [1]. A criança suporta melhor a ausência do outro, porque o outro continua existindo na cabeça dela. Também usa palavras para obter informação e guarda os avisos que recebe.

Aos 4 anos: a criança quer o outro na brincadeira e percebe o que o outro sente

Aos 4 anos, o faz de conta ganha papéis. A criança brinca de ser outra coisa, como professor, super-herói ou cachorro, e pede para brincar com outras crianças mesmo quando não há nenhuma por perto [1]. Consola quem se machucou ou está triste, gosta de ajudar e evita perigos. Muda o comportamento conforme o lugar, como num local de culto, numa biblioteca ou num parque [1].

Ela conta pelo menos uma coisa que aconteceu no dia, fala frases de quatro palavras ou mais e diz o que vem a seguir numa história conhecida [1].

Nessa fase, a compreensão da mente do outro muda. Os testes de falsa crença verificam se a criança entende que outra pessoa pode acreditar em algo diferente do que ela sabe. Uma metanálise de 178 estudos mostrou que o desempenho nesses testes passa de abaixo do acaso para acima do acaso nos anos pré-escolares. Os autores interpretam isso como uma mudança real na compreensão da mente [5].

Aos 5 anos: regras, turnos e tempo

Aos 5 anos, a CDC lista seguir regras ou esperar a vez em jogos com outras crianças. Lista também cantar, dançar ou se apresentar para o cuidador e fazer tarefas simples de casa, como combinar meias ou tirar a mesa [1].

A criança conta uma história com pelo menos dois acontecimentos, reais ou inventados, e mantém uma conversa com mais de três trocas. Usa palavras de tempo, como "ontem", "amanhã", "de manhã" e "à noite". Presta atenção por 5 a 10 minutos em uma atividade, sem contar tempo de tela [1]. Brincar junto passa a depender de regras combinadas, e a noção de tempo ajuda a criança a esperar e a contar o que aconteceu.

O que isso muda na forma de olhar para o comportamento?

Cada etapa muda o que a criança faz porque muda o que ela entende. Antes de falar, ela já sabe chamar a atenção, repetir o que dá certo e procurar quem sumiu. Depois, mostra o que gosta, usa a reação do outro como informação, pede que o outro participe da brincadeira e aprende a seguir regras. O comportamento deixa de ser só resposta e passa a ter intenção e, mais tarde, a levar em conta o que o outro sente e pensa.

Essa sequência ajuda a separar o que é esperado do que merece atenção. Chorar quando o cuidador sai e estranhar pessoas novas aos 9 meses fazem parte das listas de marcos [1]. Para ver como decidir quando um comportamento deixa de ser esperado, leia comportamento esperado ou sinal de alerta.

Depois dos 5 anos, o desenvolvimento segue na idade escolar e na adolescência. Cada fase tem a sua página em Comportamento Infantil.

Quando procurar o médico?

Converse com o pediatra se alguma destas situações acontecer:

  • A criança não alcança um ou mais marcos da lista da idade [1].
  • A criança perdeu uma habilidade que já tinha. A pergunta sobre perda de habilidades consta em todas as listas, de 15 meses a 5 anos [1].
  • Você tem outra preocupação com o jeito de ela se relacionar ou se comunicar, mesmo sem saber explicar o que é [1].

Não é preciso esperar para ver. A revisão dos marcos da CDC foi feita justamente para esclarecer quando a maioria das crianças alcança cada um deles e desencorajar a espera [2]. Você pode pedir ao pediatra uma triagem do desenvolvimento. Se a preocupação continuar, pode pedir o encaminhamento a um especialista [1].

Perguntas frequentes

Com que idade a criança percebe o outro e começa a interagir?

Ela já interage nas primeiras semanas, ao se acalmar com a voz e o colo. Aos 2 meses, olha para o rosto do cuidador e sorri quando o cuidador fala ou sorri. Aos 4 meses, sorri por conta própria para chamar a atenção [1].

Com que idade a criança quer que o outro participe da brincadeira?

Aos 15 meses, ela mostra ao cuidador o objeto de que gosta. Aos 30 meses, brinca ao lado de outras crianças e, às vezes, com elas. Aos 3 anos, se junta a outras crianças para brincar. Aos 4 anos, pede para brincar com outras crianças mesmo quando não há nenhuma por perto. Aos 5 anos, segue regras e espera a vez em jogos [1].

Com que idade o bebê estranha pessoas e chora quando a mãe sai?

Aos 9 meses, a CDC inclui, entre os marcos, ficar tímido, grudado ou com medo perto de estranhos e reagir quando o cuidador sai [1]. Aos 3 anos, a lista inclui se acalmar em até 10 minutos depois que o cuidador sai [1].

Quando o bebê entende que o objeto continua existindo?

Aos 9 meses, a maioria dos bebês procura o objeto que caiu fora de vista [1]. Os estudos discordam sobre a idade exata em que essa compreensão surge, e o contexto social influencia a busca [3].

Meu filho ainda não faz algo da lista da idade dele. O que fazer?

Converse com o pediatra sem esperar para ver [1][2]. A avaliação serve para entender o que está acontecendo.

Se você quiser conversar sobre o desenvolvimento do seu filho, atendo presencialmente em Bauru, no Jardim América, e por teleconsulta, de segunda a sexta, das 8h às 19h. O agendamento pode ser feito pelo WhatsApp.

Dr. Luis Pimenta, Médico Pediatra Pós Graduado em Psiquiatria da Infância e Adolescência · CRM-SP 163.289 · RQE 70.571
Atendimento presencial em Bauru e região, e teleconsulta.
Publicado em 7 de novembro de 2026 · Revisado em 7 de novembro de 2026

Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta médica.

Referências

  1. Centers for Disease Control and Prevention (CDC). Learn the Signs. Act Early. Milestone checklists, de 2 meses a 5 anos (lista completa revisada). Lista da CDC
  2. Zubler JM, Wiggins LD, Macias MM, et al. Evidence-Informed Milestones for Developmental Surveillance Tools. Pediatrics. 2022;149(3):e2021052138. doi:10.1542/peds.2021-052138
  3. Dunn K, Bremner JG. Investigating the social environment of the A-not-B search task. Dev Sci. 2019;23(3):e12921. doi:10.1111/desc.12921
  4. Carpenter M, Nagell K, Tomasello M. Social cognition, joint attention, and communicative competence from 9 to 15 months of age. Monogr Soc Res Child Dev. 1998;63(4):i-vi, 1-143.
  5. Wellman HM, Cross D, Watson J. Meta-analysis of theory-of-mind development: the truth about false belief. Child Dev. 2001;72(3):655-684. doi:10.1111/1467-8624.00304

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Dr. Luis Pimenta

Psiquiatria da Infância e Adolescência – CRM 163289 | RQE 70571