Explosões emocionais na infância: como compreender e agir?

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Adulto acolhe uma criança frustrada, oferecendo presença calma.

Por Dr. Luis Pimenta

Um limite ou uma tarefa difícil desencadeia choro intenso, gritos ou objetos jogados. A família se pergunta se a criança está tentando conseguir o que quer ou se perdeu o controle.

Uma explosão emocional precisa ser compreendida no contexto. Um episódio isolado não define TDAH, transtorno opositor ou qualquer outro diagnóstico. Também não permite concluir qual foi a intenção da criança.

O que é regulação emocional?

Regular uma emoção envolve perceber o que se sente e encontrar uma forma de responder que não aumente o problema. Essa habilidade se desenvolve com a idade e com apoio dos adultos.

No TDAH, dificuldades de regulação emocional podem coexistir e ampliar os prejuízos. Contudo, explosões emocionais não são um critério obrigatório do transtorno nem uma manifestação exclusiva dele. [1]

É possível haver dificuldade genuína para se acalmar e, ao mesmo tempo, necessidade de aprender limites e reparar danos. Acolher a emoção não implica permitir agressões.

Investigue o que acontece antes e depois

Observe se os episódios aparecem em transições, depois da escola, diante de tarefas difíceis ou em dias de pouco sono. Pergunte também como a criança fica entre as crises.

Essas informações são mais úteis do que a descrição “explode por qualquer coisa”. Irritabilidade persistente fora dos episódios, mudanças importantes de humor e dificuldades intensas em vários contextos merecem avaliação própria.

Ansiedade, experiências adversas, problemas de aprendizagem, condições do desenvolvimento e conflitos ambientais podem participar. Um diagnóstico conhecido não explica automaticamente todo comportamento novo.

Exemplo fictício: uma menina grita ao começar a leitura. A investigação mostra que ela se sente incapaz de acompanhar o texto e teme ser criticada. O cuidado inclui limites de segurança e apoio à aprendizagem, não apenas controlar o grito.

Durante a crise: priorize segurança e comunicação breve

Reduza a quantidade de fala e evite discutir quem tem razão naquele momento. Se for seguro, afaste objetos que possam machucar e proteja outras pessoas. Um adulto disponível e mais calmo pode conduzir a situação.

Uma frase possível é: “Você está muito bravo. Não vou permitir que machuque alguém. Estou aqui para ajudar”. Ajuste a comunicação ao que a criança consegue compreender.

Não grite, ameace ou use punição física. Não tente imobilizar a criança como técnica doméstica. Se não for possível manter a segurança, busque ajuda urgente.

Essas são orientações gerais de proteção. Crianças com crises recorrentes podem precisar de um plano individual construído com a equipe que as acompanha.

Adulto acolhe uma criança frustrada, oferecendo presença calma.

Depois da crise: retomar, ensinar e reparar

Quando a criança recuperar a capacidade de conversar, revisite brevemente o que aconteceu. Ajude a identificar sinais iniciais e uma alternativa concreta: pedir pausa, chamar um adulto ou dizer que a tarefa está difícil.

Se houve dano, a reparação deve ser proporcional à idade e possível de realizar. Ela pode ajudar a organizar o que foi derrubado ou conversar sobre como reparar a relação. Evite transformar esse momento em humilhação.

Estrutura, metas viáveis e reforço de comportamentos adequados são recursos que podem integrar a orientação parental. [2]

Quando buscar avaliação?

Procure ajuda quando os episódios são frequentes, intensos, prejudicam relações ou envolvem agressão. Mudanças após ajuste de medicação também devem ser comunicadas ao médico.

Autoagressão, ameaça de suicídio ou risco imediato de ferir alguém exigem atendimento urgente. Nessa situação, supervisione a criança e procure um serviço de emergência; no Brasil, o SAMU pode ser acionado pelo 192. [3]

O cuidado não termina quando o grito cessa. Precisamos compreender o sofrimento, reduzir riscos e ensinar alternativas para que a criança e a família atravessem as situações difíceis com mais recursos.

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Referências

  1. Shaw P, Stringaris A, Nigg J, Leibenluft E. Emotion Dysregulation in Attention Deficit Hyperactivity Disorder. American Journal of Psychiatry. 2014;171(3):276–293.
  2. Malloy-Diniz LF, Alvarenga MAS, Abreu N, Fuentes D, Leite WB. Transtorno de déficit de atenção/hiperatividade: tratamento farmacológico e não farmacológico. In: Petersen CS, Wainer R, organizadores. Terapias cognitivo-comportamentais para crianças e adolescentes: ciência e arte. Porto Alegre: Artmed; 2011. Cap. 7.

3. Brasil. Ministério da Saúde. SAMU 192; Suicídio (Prevenção). Materiais institucionais consultados em 3 de outubro de 2026.

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Dr. Luis Pimenta

Psiquiatria da Infância e Adolescência – CRM 163289 | RQE 70571